segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Missa de Formatura



De repente o telefone toca, atendo, uma pessoa do outro lado me pede um favor; substituí-la numa celebração Eucarística como Ministro da Eucaristia. Era uma missa de Ação de Graças para recebimento de diploma de Curso Superior. Nunca havia participado de uma celebração como aquela. Aceitei e fiquei muito feliz por fazer parte daquele momento.

A missa se deu num ginásio poliesportivo. Fiquei impressionado logo na chegada ao ver tanta beleza, pessoas bonitas de varias cidades. Aquele local nem parecia um ginásio esportivo, mais sim um teatro. Um ambiente totalmente lindo, decorado na mistura de cores branco e azul, fotógrafos aos montes, equipe de filmagem. Enfim, gente bonita circulando para todo lado.

Num local reservava mais de duzentos assentos cada qual com o nome do formando o aguardava. Realmente, um cenário lindo que certamente impressionou todos que lá se encontravam. Eu - particularmnte - fiquei deslumbrado com aquele ambiente.

Iniciou-se a missa e caminhamos em procissão até o altar, os formandos vieram logo após, cada um ocupando seu lugar de destaque. Mais de dez minutos se levaram para que pudesse dar inicio a celebração tanto que eram aqueles que iriam receber seu diploma.

Pois bem, meus olhos deslumbraram naquele momento ao olhar cada rosto daqueles formandos jovens, adultos, cabelos grisalhos, homens, mulheres, negros, brancos. Enfim, ali cada rosto brilhava de maneira particular e especial.

Fiquei a refletir o que se passava na mente de cada um naquele momento. A satisfação do dever cumprido, as lutas para conseguir chegar ali, as noites e noites de sonos perdidos, as dificuldades financeiras ao longo da caminhada, a realização de um sonho, os livros e livros estudados, o conhecimento acadêmico adquirido...

Mas, algo também me deixou um pouco triste, porque fiquei a refletir que muitas vezes o saber ( conhecimento) nos afasta da verdade, faz aumentar a vaidade, aumenta o orgulho, desvirtua a humildade o pior de tudo é que para muitos é o afastar de Deus. O conhecimento acadêmico nos dá muitas respostas, nos coloca um grau acima no intelecto de grande maioria das pessoas e isto colabora para o afloramento da vaidade, da prepotência., da arrogância.

A maior sabedoria está no amor; aquele que ama e que coloca este amor ao serviço do outro consegue desenvolver seu talento profissional e se completa nele. Aquele que consegue somar o conhecimento humano, com a Sabedoria do Alto atinge a plenitude da felicidade desejada e se realiza. A sabedoria de Deus está no viver do dia a dia. Está na experiência do cotidiano. A sabedoria de Deus está no sorriso de uma criança, no olhos cansados de um ancião, na felicidade de uma família sem pão, sem teto, sem conforto. A sabedoria de Deus está numa doença. Enfim, a sabedoria está num gesto simples que nossos olhos possam enxergar.

Depois de vários momentos de reflexão e de observar aquele acontecimento, de ouvir atentamente as palavras do celebrante ao mesmo tempo que corria meus olhos e pensamentos em todos aqueles semblantes, percebia a maravilhas de Deus, que sempre está construiindo a humanidade dando o conhecimento intelectual acadêmico a tantos, para que através dele alguns ajudem na construção da sociedade.

Ataíde Lemos
Poeta e escritor

domingo, 20 de novembro de 2011

Sempre presente

Sempre presente


Quando as ondas querem me levar
Pego em Tuas Mãos e firme seguro;
Quando meu horizonte está escuro
Busco na tua luz me iluminar.

Quando estou trancafiado na prisão
Com a tua chave vem me libertar;
Quando a tempestade quer me levar
Acalma a fúria e firma-me no chão.

Quando em minha fé estou a vacilar
Concede-me graças para me sustentar
E novamente sinto-me em Ti fortalecer.

Quando o medo quer me apoderar
Tua paz vem renovar meu Ser
E a esperança reaviva o meu viver.
Ataíde Lemos


sábado, 19 de novembro de 2011

Vem Espírito Santo



Vem Espírito Santo


Vem Espírito Santo
E renova meu Espírito,
Faz-me nova criatura,
Enche-me de teu amor.

Vem Espírito Santo
Livra-me do mal
Abre meu coração
Para o amor de Deus
Faça sentir sua proteção.

Vem Espírito Santo
Ora em mim,
Cura meu interior,
Acenda-me com teu fogo
E faça-me um novo Ser
Queime as feridas,
Renove minha vida.

Vem Espírito Santo
Derrama sua graça,
Liberte-me da opressão
Que não me deixa
Caminhar na liberdade,
Faça-me andar em comunhão
Com o meu Senhor. 
Ataíde Lemos

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Igreja Católica e o Clero



Algo que nos deixa um tanto quanto triste como católico é a falta de unidade, a falta de comunhão entre o seu clero com a doutrina da igreja. Infelizmente, isto parte do clero e da cúpula da igreja, estendendo-se aos fieis, que na verdade, são ovelhas perdidas nas diversas correntes ideológicas de seus pastores, acabando-os por confundir os católicos e isto, as levam procurar outras igrejas como, por exemplo, as evangélicas ou mesmo viver o sincretismo e o sectarismo religioso.

A beleza da igreja católica está na diversidade de pensamentos, mas na comunhão sacramental, no entanto, deveria estar também na comunhão de pensamentos doutrinários, especialmente, na obediência aos Ritos e ao Catecismo da Igreja Católica, o que não observamos que está ocorrendo, pois, é comum vermos os padres celebrando missas, sem seguir os ritos, desobedecendo a ordens de seus superiores e principalmente, indo em desencontro com o Catecismo da igreja.

O que provoca desconfiança e promove desobediência e assim, gera descrença é a falta de unidade. Portanto, ainda que a igreja se mostra una na celebração – mesmo com algumas falhas no rito eucarístico, demonstra dividida na teologia católica e em seu catecismo, isto leva também os fieis a não levarem os ensinamentos a sério, desta forma, a Boa Nova acaba sendo totalmente desfigurada.

Gostaria de dar como exemplo dois movimentos da igreja, entre tantos que dividem o clero e observamos como ressonância claramente nas falas dos católicos; um é a Renovação Carismática Católica (RCC) e outra está relacionada as CEB (Comunidade Eclesial de Base).

Pois bem, a RCC, é um movimento que exalta a espiritualidade por meio de louvores, oração em línguas e que promove orações de cura e libertação. É um movimento, relativamente recente, o qual tem dado um novo ardor na igreja católica través de efusão do Espírito Santo. Também a RCC, traz algo na sua espiritualidade que é enfatizar a existência do demônio como Ser, que é responsável por muitas doenças emocionais, físicas e espirituais. Ou seja, a RCC, através de sua espiritualidade destaca o que o Catecismo da Igreja Católica ressalta, isto é, a existência do demônio e a necessidade do exorcismo em alguns casos. Outro fator importante, a RCC tem como tônica exaltação da oração e a busca de viver uma espiritualidade transcendental como fundamento da salvação

Infelizmente, parte do clero rejeita a espiritualidade da RCC, inclusive, comentando publicamente sua discordância, desfigurando a pessoa do demônio contrariando o próprio Catecismo da igreja.

Já a CEB, é um outro movimento da igreja que tem como fundamento uma espiritualidade voltada para o social, ou seja, uma espiritualidade, bastante baseada no evangelho de São Mateus. Não adianta rezar com os olhos voltados para céu e não promover a justiça entre irmãos através de atos concretos como, por exemplo, a denuncia, a fomentação de movimentos sociais.

Porém, grande parte do clero que atua na CEB, é contrária a espiritualidade da RCC, muitos deles, inclusive, desqualifica o movimento “afirmando”, entre linhas a não existência do demônio, como está no Catecismo da Igreja.

Enfim, uma (RCC), tem uma espiritualidade voltada para o transcendental e a outra (CEB), voltada ao social, ou seja, uma se preocupa com o homem- divino e a outra voltada ao homem-humano. Por um lado seria bom, pois assim, a igreja católica está mostrando sua diversidade na ação no mundo, no entanto, quando sai do que ensina a Igreja, ou seja, desvirtua o que está no Catecismo, isto cria uma divisão na igreja, refletindo nos fieis e assim, tirando a credibilidade da Igreja e dos fieis em relação ao que a Igreja ensina, deixando as ovelhas sem pastor.

Ataíde Lemos
Escritor e poeta

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cura e libertação Perdão e arrependimento


Na maioria das vezes, as doenças físicas são acometidas devido às doenças emocionais e estas comumente estão relacionadas às questões espirituais. Ou seja, são doenças surgidas a partir de praticas espirituais que vão ao desencontro dos fundamentos bíblicos e evangélicos como, por exemplo, falta de perdão e de arrependimento.

Há um único Deus e nome acima de todas as coisas, é o nome de Jesus. Somente ele pode nos curar, pode libertar-nos de todos os males físicos, psíquicos e espirituais que nos aprisiona causando-nos doenças. Somente o nome de Jesus tem o poder de nos curar.

Jesus é o filho de Deus, o Deus Filho que veio ao mundo para que a palavra de seu Pai fosse anunciada, e a ele foi dado toda autoridade do Pai para que fossemos libertos tanto da escravidão do pecado como da escravidão das doenças físicas, emocionais e espirituais.

O pecado, torna-nos escravos e através da cura, por meio do perdão somos libertos. Mas, para que esta cura, para que esta libertação aconteça é necessário que tomamos posse por inteiro da sua palavra, não apenas como ouvintes, mas que acreditamos e colocamos em prática dentro de nosso coração com atos e obediência a sua Palavra. Entre este atos e ações, cito dois de fundamentais importâncias; o perdão e o arrependimento.

Perdão: Grande parte de nossas enfermidades estão relacionadas à falta de perdão. E quando falamos em perdão podemos citar três tipos de perdão: O perdão a Deus; o perdão aos irmãos e o perdão a nós mesmos

Perdoar a Deus; Deus, não precisa de nosso perdão, mas perdoar a Deus significa, perdoar ressentimentos que carregamos dentro de nós, por situações vividas que nos traz de alguma forma, profundas magoas que sentimos de Deus, por determinados momentos, experenciarmos sua ausência em momentos que mais precisamos dele. Magoa de Deus, por não achar justo que Ele permite nos acontecer e, então, sentimos traídos por Ele.

É muito comum, ficarmos revoltados com Deus, por não ter nos atendido quando mais precisamos dele seja numa situação de perda, ou de doenças. Sendo assim, é essencial que perdoamos Deus, para que sintamos o coração aliviado. Como disse anteriormente, Deus não aumenta ou diminuiu com nossa atitude de perdoa-lo, no entanto, nós, somos curados, libertos quando sentimos em nós esta reconciliação com Ele, sendo assim, precisamos perdoá-lo para sentir seu amor nos envolver.

Perdoar nossos irmãos; A oração do Pai Nosso diz: “...perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido...”. Pois bem, como que posso pedir a Deus que me perdoe, que me cure, que me liberte se não perdoo aquele que me ofendeu? Ou seja, preciso ter a atitude de perdoar para que também possa sentir o perdão de Deus para meus pecados contra meu irmão.

Perdoar a nos mesmos; é muito comum, não aceitamos como somos, sentindo-nos cheio de defeitos, sentimentos de rejeição, repletos de complexos de inferioridade. Outras vezes, praticamos pecados e não conseguimos nos perdoar e assim, fechamos-nos para a graça de Deus. Quando isto ocorre acabamos escancarando a porta para a entrada do inimigo que nos joga ainda mais para dentro de um abismo, dentro de uma prisão, fazendo-nos sentir indiferentes para com Deus. Quantas e quantas vezes, dizemos que não merecemos o amor de Deus, por isto, por aquilo? Enfim, é preciso perdoar a nós mesmo e acreditar que o amor de Deus é maior que as nossas misérias e que Ele nos ama intensamente.

Jesus na maioria de suas curas, primeiramente, perdoava os pecados e somente após, realizava as curas, lembramo-nos da cura do paralítico que foi descido pelo telhado. Foi a sua autoridade de perdoar que levou os sumos sacerdotes encontrarem motivos para matá-lo, alegando que ele blasfemara ao perdoar os pecados com a autoridade de Deus.

O perdão nos leva a reconciliação com Deus, com o irmão e conosco, nos purificando dos males, e isto, leva-nos novamente a um estado de graça, fator fundamental para cura e libertação.

Pois bem, perdoar a Deus, perdoar aqueles que nos tenha feito mal e perdoar a nós mesmos é um grande passo para que sejamos curados e libertos de toda ação do mal sobre nós, no entanto, nada disto faz sentindo se não há o arrependimento e mudança de atitude em nosso pedido de perdão.

Arrependimento: o pedir perdão ou perdoar-nos, não é uma atitude que surge no momento de proferir as palavras, mas é algo que nasce do coração a partir de um arrependimento. Ou seja, não basta dizer perdoo se o perdão não brota de um arrependimento profundo. Quantas vezes, ouvimos a frase: “Eu perdoo, mas, não me arrependo do que fiz, do que falei...” Que perdão é este! se dentro do meu coração mantém a certeza de que minha atitude de pecado foi correta? O arrependimento, por si só, é um ato de reconhecer que não deveria agir como agiu. Enfim, se na verdade, não reconheço que fiz algo que não deveria ter feito, mesmo que peça perdão, não significa que verdadeiramente perdoei, pois não me arrependi. Perdoar é um gesto de mudança de atitude e de pensamento, mas sobretudo de arrependimento.

Ataíde Lemos 

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sábado, 5 de novembro de 2011

Amor partilhado




Amor partilhado

O amor quando partilhado
É como chuvas de bênçãos;
Vários corações são lavados
E tantos são curados
Renovando a felicidade
Que muitas vezes ora perdida
Brotando um novo sol
Que refaz a vida.

O amor quando partilhado
É como um jardim florido;
Todos que a ele visita
Alegra-se com rara beleza
Das mais lindas flores
E exalam o balsamo
Do entrelace de vários aromas,
E por onde vai,
Leva consigo toda fragrância
Espalhando o perfume
Encantando todos
Que o encontra

Pela extensão do caminho.
Ataíde Lemos


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Finados e a vida eterna



     Finados, além de ser um dia para visitarmos os jazigos de nossos entes queridos que partiram de junto de nós, é um dia também de profunda reflexão sobre a eternidade.

     A morte é uma tristeza sem fim, quando acreditamos que ela é o fim. Quando não somos pessoas espirituais no sentido transcendental. Quando somos materialistas. Enfim, quando não conseguimos ultrapassar a dimensão humana do homem. Porém, a morte passa a ser um estagio da vida; passa a ser apenas um momento da lembrança e da saudade física quando nossa fé nos motiva acreditar que a morte não é o fim, mas a passagem de um estado de vida para uma outra vida.

     Varias religiões, inclusive as não cristãs, também acreditam nesta outra dimensão de vida, porém, para os cristãos, Jesus vem reforçar a vida eterna. Há varias passagens evangélicas onde ele nos fortalece a fé nesta direção. Existe aquela onde Jesus diz que Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos; outro momento forte é seu dialogo com Marta e Maria no episódio da morte de Lazaro e entre vários tantos, um que se destaca e fundamental é ressurreição e as aparições após sua morte. Nas aparições Jesus sentava, conversava, comia com os apóstolos. Suas aparições eram no sentido de fortalecer seus seguidores acreditar na ressurreição.

     São Paulo, em uma de suas cartas diz que a fé do cristão se baseia na ressurreição de Jesus, pois, se assim não for vã é nossa Fé. Se não acreditarmos nela, não nos faz sentido dizermos que somos cristãos. Se não acreditarmos na ressurreição, nossa espiritualidade é simplesmente pagã. O cristão não é um admirador de Jesus como mestre, como um homem, mas sim, alguém que acredita que Jesus é Deus e a ele é dado o poder sobre o céu, a terra, a vida, a morte. Dada pelo seu Pai e nosso como herança de Cristo.

     Pois bem, mesmo acreditando na ressurreição e tendo a certeza que não somos deste mundo, todo cristão deve ser consciente que precisa viver e promover o Reino de Deus aqui. A morada definitiva não se dá pelos nossos méritos, mas pela graça e misericórdia de Deus. Nenhum de nós somos merecedores desta graça.

     Jesus, não só veio revelar a vida eterna, também veio nos ensinar como viver o Reino de Deus no mundo. Aquele que entende e assimila seus ensinamentos, certamente, já goza da graça da ressurreição, pois, a vida eterna é uma conseqüência da vida terrena.

     Finalizando, acreditar na vida eterna, é sentir a segurança de que a morte não existe, mas que é apenas uma passagem. Acreditar na vida eterna, é ter uma atitude de comprometimento com a vida humana e terrena. Acreditar na vida eterna, é ser uma pessoa transformadora da realidade em que vive. Acreditar na vida eterna, é compromisso com a paz, com a denúncia das injustiças. Acreditar na vida eterna, é ser a favor da vida em qualquer situação. 
Ataíde Lemos

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domingo, 30 de outubro de 2011

Deus e a morte



Quando passamos por uma perda inesperada de um ente (pais, ou filhos), fazemos algumas perguntas como: “Deus quis?” “Estava na hora dele ou foi uma fatalidade?” Ou seja, nossa mente custa acreditar que Deus poderia ter algo há ver com aquela perda.

Primeiramente, gostaria de dizer que Deus não quis, jamais Deus gostaria de abrir uma enorme ferida no coração de seus filhos que passarão a conviver com aquela dor para sempre. Dizer que, Deus quer a morte de um filho é, de certa forma, negar o amor Dele por nós.

Por outro lado, dizer que foi uma fatalidade, ou seja, a pessoa estava na hora e lugar errado, não seria também o correto, pois assim, estaríamos negando que Deus é o Senhor da nossa vida, isto é, estaríamos negando que Deus pode tudo e até mesmo nos livrar da morte diante muitas circunstancias de fatalidades.

No mundo, sempre houve situações de fatalidades, ou seja, sempre existiram vitimas de mortes subidas. Sempre houve assassinatos, acidentes fatais, e outras diversas mortes de repentes os quais muitas vezes, se denominamos fatalidade. Em suma, a fatalidade não é um fenômeno dos tempos atuais.

A questão entretanto é que um dia viemos a este mundo e um dia dele sairemos, voltando para a casa do Pai, Jesus disse: “...não somos deste mundo...”, portanto, nossa passagem por aqui é por um período, que pode ser breve, médio ou longo. Também, a Palavra diz no Salmo 138 que Deus nos conhece mesmo antes de nascermos, ou seja, Ele tem pleno conhecimento de nossa vida do inicio ao fim neste mundo e na eternidade. Portanto, nosso tempo aqui está pré-determinado por Deus. Sendo assim, partindo deste principio, o dia que chegar a hora de irmos embora daqui, iremos de uma forma ou de outra e no momento determinado por Deus. Portanto, colocarmos como fatalidade à morte ou negar a hora de Deus é, de alguma maneira, questionar Deus, o que não nos trará nenhum beneficio, pelo contrario, é não aceitar os desígnios de Deus.

A morte de um ente amado é difícil de aceitar, pois é uma sensação da perda de um membro físico de nosso próprio corpo. O Ser humano, não nasceu para morrer, e a morte é uma percepção de fim. Portanto, ao perdermos um ente, mesmo acreditando na vida eterna, esta percepção fica, pois dentro de nosso Ser, está toda as emoções vividas com este ente que se foi e o qual temos dificuldades em trabalhar nosso emocional, por isto, que devemos entregar toda esta perda nas mãos de Deus, para que aos poucos Ele vai curando este trauma emocional.

Em suma, a morte não deve ser vista como uma fatalidade, nem como se fosse da vontade de Deus, pois pensando assim, estamos diminuído o amor e o poder Dele sobre nós e sobre tudo, mas sim, ser encarada como designo e mistério do amor Dele por nós. Pensar que Deus quis é também, não compadecer com a morte que Ele sentiu ao ver Seu único filho morrer, e como São Paulo diz: “...morte de cruz...”. Por mais que sintamos a dor de perder um ente, precisamos nos colocar diante de Deus as nossas misérias, nossas duvidas, fraquezas, mas também procurar sustentar nossa fé que é a certeza do amor de Deus por todos nós e confiarmos em Suas promessas de salvação, acreditando que a morte não é um fim, mas uma passagem de uma vida limitada para a vida eterna, sempre confiando que em Deus estão as respostas que hoje não compreendemos, mas que um dia, segundo a vontade e tempo de Deus, será revelada em nós.

Ataíde Lemos
Poeta e escritor 

domingo, 2 de outubro de 2011

Deus nos refaz




Deus nos refaz


Há momentos que queremos parar
Muita dor abafa a alegria no coração
Parece não haver esperanças no olhar
Sentimos perder o teto e também o chão.

Há momentos que tudo é apenas nada
E que as luzes cedem lugar à escuridão
Não vemos horizonte na caminhada
E nos mergulhamos em imensa solidão.

Nestes momentos somos pego pelas mãos
Deste Deus conhecedor de nossas dores
Que nos abraça livrando-nos das prisões.

Prisões da falta de rumos e das tristezas,
Prisões de nossa pequenez e das  fraquezas
Refazendo-nos, tornando novas criaturas.


Ataíde Lemos  

domingo, 18 de setembro de 2011

Parábola dos operários da primeira e ultima hora



Em uma parábola (Mateus, 20, 1-16a), Jesus conta que o patrão saiu na madrugada contratando operários para trabalharem na sua vinha e combinou uma moeda de prata para cada um. E assim, fez,consecutivamente durante todo o dia até as cinco horas da tarde. Ao termino do dia ele pede ao administrador que dê uma moeda de prata aos trabalhadores independentes os horários em que foram contratados. Certamente, isto causou revolta entre os da primeira hora, não que eles acharam pouco pelo que receberam, mais sim, muitos para os que foram contratados por últimos.

Esta parábola é muito interessante na maneira como Deus age conosco, ou seja, seus pensamentos e seu amor são completamente diferentes da forma como concebemos e a sua misericórdia é infinita.

Podemos destacar como o ponto central nesta parábola a “Misericórdia de Deus”, independente o momento em que nos voltamos para Ele. Também podemos refletir quanto nossa atitude em relação aos irmãos é diferente da de Deus para conosco, ou seja, precisamos aceitar e compreender que a salvação é para todos e independe o momento em que se aceite o plano de Deus para nossa vida. O perdão de Deus está aberto e pode ser dado no ultimo segundo da ultima hora de nossa vida e o premio é o mesmo daqueles que nasceram e caminharam numa vida buscando a santidade.

Deus não faz acepção de pessoas, diferentemente de muitos daqueles que está a mais tempo no caminho Dele, no entanto, todo aquele que o busca nas primeiras horas, têm suas vidas agraciadas de benções em sua peregrinação terrestre, porém o premio após esta passagem é o mesmo daqueles da ultima hora.

Esta parábola também serve para que nós, enquanto irmãos, não façamos acepção de pessoas ou ficamos nos achando mais merecedores em relação aos outros, pelo contrario, devemos continuar nossa caminhada de fé, sendo aqueles trabalhadores que saem na busca de outros operários para que também venham trabalhar para este dono da vinha que é bom e misericordioso, alegrando-se com cada um que aceita este convite, pois já sabemos que o premio é grande, independente o momento que aderimos ao projeto de Deus.

É muito triste quando vemos irmãos que servem ao mesmo Deus, que se dizem acreditar no mesmo Jesus, mas se acham melhores, ou detentores da graça ou mesmo podem escolher os eleitos para Jesus e excluem irmãos não os aceitando como filhos de Deus, por pensarem diferentes.

Somos servos inúteis e nossa recompensa é grande em relação ao nosso trabalho e aos nossos esforços. Somos seres pequenos, frágeis, pecadores e nossa salvação não são pelos nossos méritos, mas sim, pela graça, pelo amor e pela misericórdia que Deus tem para conosco e, é assim, que devemos nos comportar e ser em relação aos nossos irmãos que ainda não aderiram ao projeto de Deus. Ou seja, não vangloriarmos por estarmos trabalhando para Deus desde há primeira hora, mas sim, agradecer por termos aceito a Sua proposta logo de manhã, pois, os únicos beneficiários enquanto trabalhadores mais cedo, seremos nós mesmo nesta caminhada terrena.


Ataíde Lemos
Poeta e escritor

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Santíssimo Sacramento




Santíssimo Sacramento

Quando estou aqui abro meu coração
Conto minhas histórias, dores e alegrias
Conto meus erros, faço minha confissão
Abro-me contigo como são os meus dias.

Quando estou aqui há em mim muita paz
Sinto um aconchego através do teu amor
Tua presença renova e tranqüilidade traz
E percebo o quanto sou maior que a dor.

Quando estou aqui me envolvo em oração
Tua voz me fortalece e conforta o meu Ser.
 Entrego-te toda a minha angustia e aflição.

Quando estou aqui fico tempo em adoração
Em meu silêncio saem palavras de louvores
E ficam a te contemplar tempo em oblação
.
Ataíde Lemos

domingo, 28 de agosto de 2011

Acreditar na existência de Deus




Sempre falamos ou ouvimos pessoas a mencionar o nome de Deus, “Se Deus quiser”, “Deus vai te ajudar”, “Tenha fé em Deus”, “Graças a Deus” e por ai afora...

Sempre em determinadas ocasiões também as pessoas são envolvidas pela espiritualidade e em suas oratórias, momentos festivos de confraternização social alguma menção é dirigida a Deus.

Pois bem, isto reflete que acreditamos que existe um Ser Superior o qual referenciamos, tememos e depositamos toda nossa confiança, esperança e amor. Esta espiritualidade monoteísta está em quase a totalidade da população mundial.

Há quatro fatores para acreditar na existência de Deus, uma é através do conhecimento teológico, a segunda é pela tradição passada por gerações, a terceira por meio da cultura da sociedade e a quarta é através da experiência vivenciada. No entanto, a ultima é a que de fato enraíza a crença em Deus e Sua Ação no mundo.

Muitas respostas ou duvidas são saneadas quando através de atos concretos, de conseqüências encontramos respostas para a existência de Deus. Acreditar Nele a partir do conhecimento, da cultura ou tradição, não possui a consistência do que acreditar a partir de uma experiência vivida, pois esta, sobrepõe todas as outras opções de acreditar na sua existência.

Jesus certa vez disse: “Se não acreditas no que falo, acreditem em mim pelo menos a partir de minhas obras. Minhas obras testificam minhas palavras”, e assim muitos creram nele.

Quando Jesus ressuscitou, os apóstolos encontravam-se com medo e muitas vezes, se escondiam. Porém, quando um paralítico foi curado na porta da sinagoga pelos apóstolos em nome de Jesus, diz a Palavra, que daquele milagre em diante muitos começaram a aderir ao cristianismo, havendo um grande numero de conversões. Aquele acontecimento também provocou nos apóstolos um novo ardor para avançarem na evangelização.

Certamente, muitos quando exclamam o nome de Deus, é porque acreditam na Sua existência seja porque foi solidificada esta crença pelo conhecimento, tradição ou cultura, mas também porque já tiveram uma experiência individual contundente que não há como negar mais a sua não existência. Nenhum outro argumento pode substituir uma experiência empírica.

Vejamos um exemplo: Se alguém através de uma oração clama a Deus uma determinada prece para determinada cura, conseguir um emprego ou uma solução temporal e imediatamente tem este pedido atendido, daquele momento em diante este acreditar se fundamentaliza, não mais em palavras ouvidas, lidas, mas numa experiência pessoal, sendo assim, nenhum outro argumento, torna-se capaz de o faze-lo não acreditar em Deus. Os fatos falam por si mesmo. Pode-se haver uma adequação mas, jamais uma mudança radical de pensamento.

Outro exemplo: Alguém que durante anos viveu a dependência química e passou por diversos especialistas, diversas formas de tratamento, viveu o inferno das drogas e que, a partir de uma experiência espiritual deixou-as e reformulou sua vida e isto ocorreu através de um desenvolvimento da espiritualidade; como querer incultar a negar que sua cura se deu por meio de Deus?

Finalizando, falar de Deus, exclamar Seu nome e acreditar em Sua existência é muito mais que conhecimento, é muito que tradição, que cultura. Nem mesmo a razão, a filosofia consegue sobrepor a esta experiência empírica o qual estão sujeitos todos os mortais, até mesmo os mais críticos, materialistas e ateus tem esta oportunidade de experimentar. Enfim, a oportunidade de experimentar Deus, agindo por meio de atos concretos, todos tem acesso até mesmo àqueles que não acreditam, basta fazer a experiência de Deus.

Ataíde Lemos
Escritor e poeta

domingo, 21 de agosto de 2011

Mãe dos pais que perderam filhos.





Mãe dos pais que perderam filhos.


Quando dói a saudade em meu coração...
Quando me pego sem aceitar e entender...
Quando meu peito põe-se em aflição...
Quando tua lembrança me faz sofrer...

Quando fico com mil perguntas a fazer...
Quando minha fé tende querer desmoronar...
Quando fico humanamente a me responder...
E respostas concretas não consigo encontrar...

Quando a tristeza vem me abater
Volto-me a aquela mulher especial; Maria
Que aceitou o projeto de Deus sem nada entender
Sem questionar, doou-se a sua vida com alegria.

Maria, aquela que carregou no ventre a Luz
E nem por isto sua vida foi só de esplendor
Mesmo sendo a mãe do nosso salvador; Jesus
Teve ao colo morto seu filho; Nosso Senhor.
Ataíde Lemos 

sábado, 30 de julho de 2011

Multiplicação dos pães


     Muitas passagens evangélicas são extremamente reflectivas nos levando há questionamentos internos sobre nossa atitude diante de Deus, diante a humanidade e a nós mesmos. De como vemos a atuação de Deus na humanidade, como que vivemos este Deus em nós e refletimos este Deus para o próximo.


     Um destes momentos ricos de reflexão é a multiplicação dos pães. Nesta passagem escrita pelos evangelistas podemos tirar vários pontos importantes tanto aqueles de profundidade espiritual (dimensão Mistério), a prefiguração do aconteceria na ceia derradeira como a de dimensão social, a atitude do homem em relação ao compromisso com o irmão.


     Podemos ver um Deus que se preocupa com o homem em toda sua dimensão. Se em determinado evangelho Jesus vê aquela multidão que não quer se afastar sentindo por ela compaixão devido serem ovelhas sem pastor, na multiplicação dos pães Jesus sente compaixão pela necessidade do material que dá vida biológica ao homem, o alimento.


     Segundo o evangelho, Marcos não deixa duvida que ali ocorrera um grande milagre que foi a transformação de poucos pães e alguns peixes em alimentos para aquela multidão. Este é um ponto que por mais que se possa tirar varias reflexões não pode negar o milagre ocorrido.


     Em 2º reis cap. 4,42-44 Elizeu também através de uma oração a Deus faz com que vinte pães pudesse saciar mais de cem homens. Um gesto de amor pelos outros reproduz no coração de Deus o amor do irmão pelo irmão. Quando somos capazes de dividir aquilo que temos certamente, todos são beneficiados pelos nossos gestos e atitudes. Esta passagem ocorrida no antigo testamento também vem prefigurar o acontecimento da multiplicação dos pães feito por Jesus.


     Um fato importante neste episódio é que Jesus sacia o povo a partir do povo, isto é, do alimento que alguém carregava e que foi apresentado se tornou alimento para todos.


     Quando não omitimos; quando apresentamos nossos dons à Deus, Ele pode transformar algo pequeno em grande e assim, muitos serem saciados a partir de partilhas de pequenas coisas.


     Deus ama e se preocupa com o homem no seu todo. Deseja alimentar o Espírito, como também está consciente da realidade e necessidades humanas, e sabe que um dos fundamentos também para segui-lo é estar saudável biológica e psicologicamente.


     Mas, também não podemos deixar aqui de refletir este acontecimento numa dimensão profundamente espiritual, onde Jesus prefigura a sua morte e a sua ressurreição nos deixando a Si próprio como alimento espiritual. Deixando-nos Seu corpo, Seu sangue que alimentados nos santifica o corpo e o Espírito até o dia em que todos nos encontraremos na gloria eterna.


     Somente sente fome de Deus aquele que deseja ou que é impedido de se alimentar pelo egoísmo dos irmãos. Um egoísmo que acontece pela falta da multiplicação da palavra, dos gestos concretos de amor. 
Ataíde Lemos
Escritor e poeta